DIABETES & ALZHEIMER

Publicado por admin em 3 de fevereiro de 2009
Publicado em: Saúde

Droga usada para diabetes ajuda a tratar Alzheimer (Folha de S. Paulo)
Jornalista: EDUARDO GERAQUE
03/02/2009 - Resultado é só um primeiro passo para o surgimento de um tratamento eficaz contra a perda de memória, diz carioca autora do estudo

Analisando neurônios em laboratório, cientistas da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) conseguiram mostrar o motivo de medicamentos utilizados para o diabetes tipo 2 poderem atuar no cérebro dos pacientes com mal de Alzheimer, doença neurodegenerativa que leva à perda da memória.
A relação entre as duas doenças, segundo Fernanda De Felice, a principal autora do estudo publicado hoje na revista científica “PNAS”, é conhecida faz pouco tempo. Há cinco anos mais ou menos, calcula ela.
Agora, com a proteção de 100% obtida com neurônios que simulam os danos de Alzheimer a partir da aplicação da droga rosiglitazona (que estimula a ação da insulina nas células) -usada comumente para o diabetes-, está consolidado o cruzamento fisiológico das duas doenças.
A explicação, afirma De Felice, é que nos dois problemas existe uma resistência à insulina. No caso específico da doença neurológica, descobriu-se agora que os neurônios em cultura não captam a insulina por causa da presença de substâncias tóxicas chamadas oligômeros. “Mas a droga, quando aplicada, impediu que essas substância tóxicas se ligassem com os receptores específicos”, disse De Felice à Folha.
Assim, a insulina ficou mais livre para agir sobre os neurônios e fazer com que os estímulos elétricos circulassem pela rede neuronal, possibilitando a construção da memória.
Apesar de os resultados obtidos em laboratório serem positivos, a pesquisadora da UFRJ, que fez o estudo com parceiros brasileiros e americanos, é cautelosa em relação à possibilidade de aplicação clínica imediata da descoberta. “Os nossos dados não significam que as pessoas com Alzheimer podem sair tomando insulina por aí.”
Os riscos para a saúde, neste caso, seriam altíssimos. “No futuro, o caminho será desenvolver uma droga que possa agir diretamente sobre os neurônios e não sobre todo o organismo”, diz De Felice.
O trabalho feito agora ainda precisa ser repetido em camundongos transgênicos, animais de laboratório preparados para desenvolver sintomas do mal de Alzheimer. Os testes tentarão reverter a doença em estágio bem avançado.

Tiro no escuro
O trabalho de pesquisa básica feito no Rio de Janeiro e nos Estados Unidos, afirma De Felice, é importante porque ajuda a mostrar, com precisão, como é a conexão entre o diabetes tipo 2 e o Alzheimer.
Hoje, nos Estados Unidos, existem vários testes sendo feitos em seres humanos tentando mostrar se a droga rosiglitazona diminui a resistência à insulina, fator bastante presente nos cérebros dos pacientes com a doença de Alzheimer.
“A grande questão é que esses testes são feitos mais ou menos no escuro. Sem claro embasamento científico. Nesses testes, não se conhecem os mecanismos pelos quais os medicamentos dados a diabéticos podem prevenir os problemas nos neurônios”, afirma.
Entre os vários testes em andamento, conduzidos tanto pela indústria quanto por grupos de pesquisa, nenhum teve os seus resultados finais divulgados ao público.
O caminho agora está mais pavimentado, na visão da cientista, em direção ao desenvolvimento de tratamentos que possam ser eficazes para o problema de perda da memória.
“Os medicamentos [usados no estudo] protegem as sinapses dos neurônios contra os danos causados pelos oligômeros. Esse dado, finalmente, poderá resultar em tratamentos eficazes que previnam a perda de memória que ocorre na doença de Alzheimer.”
Frases   

“Os nossos dados não significam que as pessoas com Alzheimer podem sair tomando insulina por aí”

“No futuro, o caminho será desenvolver uma droga que possa agir diretamente sobre os neurônios “
FERNANDA DE FELICE
bioquímica da UFRJ

Intoxicação neuronal sugere nova forma da doença metabólicaAlguns pesquisadores que estudam a relação entre insulina e a intoxicação neuronal defendem que esse novo mecanismo, que pode levar à perda da memória, deve ser um novo tipo de diabetes, o 3. Como a insulina desempenha no cérebro um papel importante em processos relacionados à formação de memória, o quadro de resistência dos neurônios à ela prejudicaria esse registro. Nesta associação, o Alzheimer seria uma espécie de diabetes. Os médicos sabem que no tipo 2 da doença já ocorre algum prejuízo para a memória.

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Sanofi-Aventis imita Pfizer e vai atrás de grandes aquisições (Valor Econômico)
Jornalista: Andrew Jack
03/02/2009 - A companhia farmacêutica francesa Sanofi-Aventis está se preparando para importantes aquisições visando expandir e diversificar as operações sob seu novo executivo-chefe.

Na esteira da aquisição da Wyeth pela Pfizer, ambas companhias americanas, por US$ 68 bilhões, na semana passada, a Sanofi-Aventis manteve conversações com executivos do setor financeiro sobre possíveis acordos de fusões ou aquisições.

A iniciativa deverá assinalar a mais recente onda em um surto de consolidação no setor, num momento em que o vigor financeiro de curto prazo de algumas companhias de maior porte proporciona oportunidades para corrigir problemas estruturais de longo prazo, como a falta de novos medicamentos.

Numa apresentação interna na sexta-feira passada – antes de sua primeira declaração pública, por ocasião da apresentação dos resultados da companhia para o ano passado, previsto para a semana que vem -, Chris Viehbacher, executivo-chefe da Sanofi-Aventis, indicou estar interessado em aquisições para expandir e diversificar suas operações.

Viehbacher, que foi contratado no segundo semestre do ano passado pela Sanofi-Aventis, quando estava na inglesa GlaxoSmithKline (GSK), está profundamente interessado em imprimir sua marca com uma versão similar, porém ainda mais ousada, da estratégia adotada por Andrew Witty, que o venceu na disputa pelo cargo máximo na Glaxo em fins de 2007.

O banco UBS estima que a Sanofi-Aventis poderia captar recursos na faixa de ? 17 bilhões a ? 20 bilhões (entre US$ 21 bilhões a US$ 25 bilhões). A companhia anunciou para o terceiro trimestre uma geração de fluxo de caixa de ? 1,9 bilhão diante de uma situação de queda no endividamento.

A Bristol Myers Squibb, com a qual a Sanofi-Aventis controla em conjunto os direitos do Plavix – um medicamento anticoagulante que é sucesso de vendas -, e com a qual havia considerado uma fusão, é agora uma opção de compra, ao passo que outros alvos nos Estados Unidos discutidos por analistas são a Amgen e a Biogen Idec.
Mas existem diversas empresas de nicho nas quais a Sanofi-Aventis poderia assumir uma participação, entre elas a Actavis, Ratiopharm, colocada recentemente à venda, e a Crucell.

Algumas grandes companhias farmacêuticas estão se abstendo de iniciar negócios enquanto esperavam as decisões da Pfizer, por temer que pudessem ser atraídas para uma dispendiosa guerra de propostas.

Tendo em vista que a Pfizer está com seu tempo e dinheiro dedicado à Wyeth, a farmacêutica suíça Roche recentemente lançou oferta hostil de aquisição da Genentech por US$ 42 bilhões, e que outras grandes companhias como a suíça Novartis, a americana Eli Lilly e anglo-sueca AstraZeneca já absorvendo aquisições, a disputa entre rivais repentinamente ficou mais estreita.

Entre outras companhias capazes de realizar negócios maiores estão as americanas Merck e a Johnson & Johnson, além da GSK, embora muitos investidores estejam céticos quanto aos retornos obtidos nas rodadas anteriores de “megafusões” durante a década passada, tendo havido mais valor gerado via negócios envolvendo empresas de nicho.

As companhias europeias podem estar mais bem posicionadas para pagar em dinheiro a compra de outras companhias sem ter de arcar com os pesados impostos sobre as companhias americanas que repatriam dinheiro mantido no exterior – um fator que incrementou substancialmente a alíquota tributária da Pfizer após pagar pela compra da Wyeth.

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